Ghost Writer: a arte de lapidar diamantes

“Fico imaginando como você consegue traduzir em palavras, os detalhes, o colorido e até o ‘cheiro’ de um lugar, se apenas me ouviu falar e nunca esteve fisicamente na situação”


     Confesso que fiquei extravagantemente lisonjeada quando escutei o comentário acima vindo de uma cliente. Esse é o ápice do elogio para um Ghost Writer ou, pelo menos para mim, sem dúvida, isso selou o meu trabalho. O lado que muitos consideram estranho dessa história é que, como “escritora fantasma” não revelo nome de quem disse, pois o anonimato de um cliente é inegociável.

     Ghost Writer é uma profissão bem antiga, embora ainda pouco conhecida e difundida, até mesmo porque muitas personas da elite de diversos segmentos utilizam esse recurso. Uns assumem, outros não, mas o relevante é que o resultado de um projeto desenvolvido por um Ghost eterniza histórias de pessoas e de organizações, consolida carreiras e tem inclusive o poder de ligar gerações.

     Outro dia estive refletindo sobre a história de uma anciã, inclusive já utilizei em outro texto: Cizinia Nazário de Lima tem hoje 96 anos. Ela ainda é capaz de apresentar por ordem de nascimento cada um dos onze filhos, com seus respectivos genros e noras. Na caminhada, alguns se separaram e constituíram novas família. Dos casais, ela sabe o nome de cada um dos 43 netos e desses, os respectivos bisnetos, trinetos e tataranetos... A história dela é bem sofrida, mas cada ruga do seu rosto mostra a guerreira forjada nas lutas, nos desafios e alegrias. Semianalfabeta, a cativante anciã ainda conta suas proezas no decorrer de quase um século, mas até quando será possível para ela reproduzir a origem da sua descendência?

     Contar com a habilidade de um Ghost Writer é semelhante a ter em mãos um diamante bruto e transformá-lo em uma joia incalculavelmente valiosa. A história que você tem em mente pode ser exatamente esse diamante. Só falta deixar nas mãos de um Ghost Writer para lapidá-la.